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Reforma Tributária amplia pressão sobre ERPs: empresas precisam revisar parametrizações, dados e integrações

Reforma Tributária amplia pressão sobre ERPs: empresas precisam revisar parametrizações, dados e integrações

A implementação gradual da Reforma Tributária está levando as empresas a olhar para um ponto que vai além das áreas fiscal e contábil: a preparação dos sistemas de gestão que sustentam suas operações.

Para organizações que utilizam soluções TOTVS, a adequação envolve mais do que a instalação de novas versões do ERP. IBS, CBS e Imposto Seletivo, além de mudanças nos documentos fiscais e a introdução do CNPJ alfanumérico, exigem revisão de parametrizações, cadastros, customizações e integrações.

A transição para o novo modelo tributário ocorrerá gradualmente até 2033. Nesse período, as empresas precisarão lidar simultaneamente com regras atuais e novas, o que aumenta a complexidade dos processos fiscais e dos sistemas responsáveis por executá-los.

Reforma Tributária chega aos sistemas de gestão

O IBS substituirá gradualmente ICMS e ISS, enquanto a CBS substituirá PIS e Cofins. O Imposto Seletivo, por sua vez, terá aplicação específica para determinados produtos e serviços.

As mudanças já estão sendo incorporadas aos documentos fiscais eletrônicos. A Nota Técnica 2025.002, por exemplo, introduz novas informações relacionadas ao IBS e à CBS na NF-e e na NFC-e e vem recebendo atualizações técnicas.

Para Ricardo Nunes, CEO da TRIYO Tecnologia, esse cenário mostra que a adequação do ERP não deve ser encarada como um projeto pontual.

“Não basta simplesmente atualizar a versão do sistema. O ERP precisa ser configurado de acordo com a realidade de cada operação, considerando regras tributárias, classificações, vigências, produtos, serviços e cadastros.”

Segundo o executivo, a qualidade dos dados também passa a ter papel estratégico. Um sistema atualizado pode apresentar resultados incorretos caso as informações utilizadas nos cálculos estejam incompletas ou desatualizadas.

Por isso, a preparação para a Reforma Tributária também envolve a revisão e o saneamento dos cadastros que alimentam os processos fiscais.

Notas de Crédito e Débito adicionam novas exigências

As mudanças relacionadas à Reforma Tributária também incluem novas possibilidades de emissão de documentos fiscais, como as Notas de Crédito e de Débito vinculadas ao IBS e à CBS.

No Protheus, as duas operações impactam processos distintos. A Nota de Débito está relacionada ao Faturamento, enquanto a Nota de Crédito está associada ao processo de Compras.

Embora possam parecer funcionalidades específicas, sua implementação depende de diferentes componentes do ambiente, incluindo atualização do ERP, parametrização tributária, cadastros, documentos fiscais, escrituração, contabilização e integrações.

Na avaliação de Ricardo Nunes, isso reforça a necessidade de uma abordagem mais ampla.

“Não adianta disponibilizar uma nova funcionalidade se o restante do ambiente não estiver preparado para utilizá-la. É preciso avaliar a cadeia completa do processo.”

CNPJ alfanumérico amplia o escopo de adequação

Paralelamente às mudanças tributárias, outro movimento já começou a impactar os sistemas corporativos: a implantação do CNPJ alfanumérico.

O primeiro CNPJ nesse formato foi emitido pela Receita Federal em julho de 2026. Os CNPJs existentes não serão alterados, mas novas inscrições poderão utilizar letras e números, mantendo os 14 caracteres.

A mudança cria um novo ponto de atenção para os sistemas ERPs.

Embora uma companhia não precise alterar seu próprio CNPJ, seus clientes, fornecedores e demais parceiros poderão receber identificações no novo formato.

Isso significa que o ERP e os sistemas conectados a ele precisam estar preparados para armazenar, validar, processar e transmitir essas informações.

O impacto potencial não está apenas no cadastro. Customizações, APIs, integrações, bancos de dados, relatórios e sistemas externos também precisam ser revisados.

Outro ponto de atenção está na crescente integração entre os sistemas corporativos.

O sistema ERP pode estar conectado a plataformas financeiras, bancos, sistemas logísticos, CRMs, e-commerces, soluções fiscais, aplicativos, portais e APIs.

Nesse cenário, uma alteração no ERP pode gerar impactos em outros sistemas, e uma integração não preparada pode comprometer o fluxo de informações.

Por isso, a adequação deve considerar o ambiente tecnológico como um todo.

Diante desse cenário, a recomendação é que as empresas utilizem 2026 para realizar um diagnóstico do ambiente e identificar os pontos que precisam ser ajustados.

Entre as principais frentes estão a avaliação da versão do ERP e das atualizações necessárias, a revisão das parametrizações tributárias e dos cadastros, o mapeamento de customizações e integrações e a realização de testes dos principais processos operacionais.

Para Ricardo Nunes, CEO da TRIYO Tecnologia, antecipar esse trabalho pode reduzir riscos durante a transição.

“Quanto antes a empresa começar, maior será o tempo para identificar problemas, corrigir parametrizações, revisar cadastros e homologar os processos.”

A preparação também deve ser contínua. A Reforma Tributária possui um cronograma de implementação que se estende até 2033, enquanto novas especificações técnicas continuam sendo publicadas e atualizadas.

Nesse contexto, a atualização do ERP é apenas uma das etapas. A questão central passa a ser a capacidade do ambiente tecnológico de acompanhar as mudanças regulatórias sem comprometer os processos de negócio.

Para que todas essas adequações sejam feitas de maneira correta e sem comprometer a operação, contar com uma consultoria especializada pode ser uma ótima alternativa para que a empresa se mantenha no foco do core business e deixe todas as parametrizações com uma equipe qualificada.