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Mais da metade das empresas ainda não está pronta para a Reforma Tributária

Pesquisa com empresários da comunidade Resenha Company mostra que 57,5% delas ainda estão em fase de adaptação ou nem começaram processo; medida governamental dá novo fôlego às empresas, mas especialista alerta que adiamento não deve ser confundido com trégua

Redação Portal ERP
04 de ago. de 2026
T|Fonte:18px
4 min de leitura
Mais da metade das empresas ainda não está pronta para a Reforma Tributária

Vinicius Chechinato, CEO da Resenha Company

A poucos dias de completar um novo marco da Reforma Tributária do Consumo, o empresariado brasileiro recebeu um aviso de última hora. Na sexta-feira, 31 e julho, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS (CGIBS) publicaram o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026, que estabelece os prazos para a obrigatoriedade do destaque do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nos documentos fiscais eletrônicos. Pela nova regra, a exigência na Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e), que entraria em vigor em 3 de agosto, passa para 1º de outubro de 2026, enquanto as empresas optantes pelo Simples Nacional ganham prazo até 1º de janeiro de 2027.

A notícia chega em um momento delicado. Pesquisa realizada pela Resenha Company – ecossistema empresarial que reúne empresários e executivos C-level em todo o país – mostra que a maioria das empresas brasileiras segue em compasso de espera diante das novas exigências fiscais. O levantamento, conduzido entre 13 e 29 de julho junto a 80 empresários respondentes, revela que apenas 42,5% dos negócios se consideram preparados ou em estágio avançado de preparação para a reforma. Os demais 57,5% ainda estão em fase de diagnóstico e adaptação (47,5%) ou sequer iniciaram um movimento efetivo nesse sentido (10%).

"A prorrogação anunciada pelo governo é uma boa notícia, mas não pode ser lida como um respiro para engavetar o assunto. Os números da nossa pesquisa mostram que a maior parte das empresas brasileiras ainda está no meio do caminho, e esse tempo extra deveria ser usado para testar processos e corrigir rotas, não para adiar decisões", avalia Vinicius Chechinato, CEO da Resenha Company.

Segundo o levantamento, o principal obstáculo enfrentado pelas empresas não é apenas técnico ou fiscal. Para 30% dos entrevistados, o maior desafio é acompanhar a regulamentação e interpretar os impactos da nova legislação, em um cenário de mudanças constantes nas regras. Na sequência, aparecem a adaptação de sistemas, ERPs e tecnologia (25%), o alinhamento entre equipes e áreas da empresa (20%), a preocupação em não comprometer a operação durante a transição (15%) e a dificuldade de projetar cenários financeiros diante da falta de previsibilidade (10%).

"O que víamos há um ano como uma pauta tributária virou uma pauta de gestão. As empresas que estão indo bem nesse processo são justamente as que trataram a reforma como um projeto amplo, envolvendo tecnologia, pessoas e processos, e não como uma obrigação isolada do departamento fiscal", afirma Chechinato.

Quando o assunto é o impacto esperado nos negócios, os efeitos vão muito além do pagamento de impostos. Para 30% dos empresários consultados, a principal mudança deve ocorrer na revisão de custos, margens e políticas de precificação. Outros 22,5% esperam alterações no planejamento financeiro e na gestão de fluxo de caixa, enquanto 20% preveem revisão de processos fiscais, controles internos e governança. Renegociação de contratos e mudanças na política comercial com clientes e fornecedores aparecem para 15% dos respondentes, e apenas 12,5% enxergam a reforma, neste momento, como fonte de ganhos de eficiência e previsibilidade.

"A reforma tributária deixou de ser um tema restrito ao departamento fiscal para se tornar uma questão estratégica, que atravessa preço, contrato, tecnologia e relacionamento com cliente. É esse olhar amplo que temos incentivado entre os empresários da nossa comunidade", completa o CEO da Resenha Company.

Com a medida anunciada pelo governo, o novo calendário passa a ser o seguinte: empresas do Regime Normal seguem com a obrigatoriedade dos campos de IBS e CBS a partir de 3 de agosto de 2026, já a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) tem a exigência adiada para 1º de outubro de 2026, e os optantes pelo Simples Nacional passam a ter até 1º de janeiro de 2027 para se adequar. Para Chechinato, o cenário reforça a necessidade de as empresas usarem o tempo adicional para consolidar diagnósticos, testar sistemas e capacitar equipes, em vez de tratar o novo prazo como um adiamento do problema.

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