Heriberto Cabrera, Regional VicePresident, Solutions Engineering da Tanium
Durante anos, a segurança cibernética concentrou esforços em proteger dispositivos físicos, servidores, notebooks, smartphones e workloads em nuvem. Agora, um novo elemento começa a fazer parte da infraestrutura corporativa: os agentes de Inteligência Artificial.
Diferentemente dos assistentes virtuais tradicionais, esses agentes não apenas respondem perguntas. Eles recebem permissões para acessar aplicações, consultar bases de dados, executar comandos, automatizar processos e interagir com diferentes sistemas de forma autônoma. Na prática, passam a atuar como novas identidades digitais dentro da empresa.
Esse avanço muda a forma como organizações precisam enxergar sua superfície de ataque. O desafio deixa de ser apenas impedir invasões externas e passa a incluir o monitoramento contínuo do comportamento de máquinas que possuem acesso legítimo aos ambientes corporativos.
Segundo a Tanium, a adoção acelerada de agentes de IA exige que empresas ampliem seus modelos de governança e gestão de endpoints. Se um agente pode acessar um ERP, consultar dados financeiros, interagir com plataformas em nuvem ou executar ações administrativas, ele também precisa estar sujeito aos mesmos controles aplicados a qualquer outro ativo crítico da organização.
"O mercado está tratando agentes de IA como aplicações inteligentes, quando, na prática, eles já funcionam como novos endpoints corporativos. Eles possuem identidade, recebem permissões, executam tarefas e movimentam informações. Se não houver visibilidade sobre essas atividades, cria-se uma nova camada de risco operacional dentro da empresa", afirma Heriberto Cabrera, Regional VicePresident, Solutions Engineering da Tanium.
Na avaliação do executivo, muitas organizações concentram seus investimentos na adoção da Inteligência Artificial sem revisar aspectos fundamentais de segurança, como privilégios de acesso, segmentação de ambientes e monitoramento contínuo das atividades executadas por esses agentes.
A preocupação ganha relevância porque a IA tende a operar em múltiplos sistemas simultaneamente. Um único agente pode consultar dados de clientes em um CRM, acessar documentos corporativos, abrir chamados de TI, interagir com plataformas financeiras e acionar aplicações em nuvem para concluir uma tarefa. Sem uma visão integrada dessas operações, torna-se mais difícil identificar comportamentos inesperados, erros de configuração ou até mesmo o uso indevido de credenciais.
Para a Tanium, incorporar agentes autônomos com segurança exige alguns requisitos básicos. O primeiro deles é manter um inventário em tempo real dos ativos e sistemas utilizados pela IA. Também é essencial aplicar o princípio do menor privilégio, limitando os acessos ao estritamente necessário para cada atividade, além de segmentar ambientes críticos para reduzir impactos caso ocorra algum comportamento anômalo.
Outro ponto importante é garantir que os sistemas utilizados pelos agentes permaneçam continuamente atualizados e protegidos por políticas consistentes de gerenciamento de vulnerabilidades e aplicação de patches. A empresa também destaca a necessidade de monitoramento constante das ações executadas pela IA, permitindo auditoria, rastreabilidade e resposta rápida sempre que houver desvios.
"O maior risco não é a Inteligência Artificial em si, mas a falta de governança sobre aquilo que ela passa a fazer dentro da organização. Quanto maior a autonomia desses agentes, maior também deve ser a capacidade de monitorar suas ações em tempo real", conclui Cabrera.
À medida que agentes autônomos deixam de ser experimentos para assumir funções operacionais, a segurança deixa de ser apenas uma discussão sobre modelos de IA e passa a envolver um novo conceito de gestão. No futuro próximo, empresas precisarão administrar pessoas, dispositivos e agentes inteligentes sob os mesmos princípios de visibilidade, controle e governança, reduzindo pontos cegos em uma infraestrutura cada vez mais automatizada.





