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Tempos de mudanças tecnológicas: reflexões sobre um passado que ajuda a entender o presente

Jeferson Viviani
11 de ago. de 2026
T|Fonte:18px
6 min de leitura
Tempos de mudanças tecnológicas: reflexões sobre um passado que ajuda a entender o presente

Estamos passando por profundas mudanças. A cada manhã, novos desenvolvimentos da OpenAI ou da Anthropic impactam de forma significativa o nosso dia a dia. E, a cada surpresa provocada pelas novas funcionalidades das ferramentas de Inteligência Artificial, voltamos nossa atenção para o futuro, tentando imaginar o que mais virá. É natural nos maravilharmos com cada novo recurso e com as possibilidades que essas tecnologias apresentam. 

Entretanto, nada disso é completamente novo. Temos o hábito de esquecer fatos e acontecimentos do nosso passado que também provocaram grandes impactos na nossa rotina e reduziram de maneira significativa os custos das operações. Por isso, vale puxar pela memória e relembrar algumas dessas transformações. 

1989: o fax 

Em 1989, eu prestava serviços para uma empresa que fabricava isoladores elétricos cerâmicos. Um dia, passando pelo departamento de engenharia, vi um técnico brasileiro fazendo anotações em um papel que continha o projeto de um isolador e enviando aquele material para a Alemanha por meio de um equipamento. 

Minutos depois, o mesmo aparelho recebia como resposta um croqui desenhado à mão, com observações feitas pelo engenheiro alemão. Quanta tecnologia: era o fax. 

Naquele momento, o equipamento representava uma mudança importante, pois permitia trocar informações entre profissionais que estavam em países diferentes sem a necessidade de deslocamento. Durante a fase de desenvolvimento dos projetos, isso ajudava a reduzir custos relacionados às viagens de profissionais de um país para outro. 

1992: BBS (Bulletin Board System) 

Toda vez que uma software house desenvolvia uma nova versão de seu produto, havia um desafio para fazer essa atualização chegar ao cliente final, principalmente quando ele estava em outra cidade. As alternativas eram colocar um disquete no correio ou fazer com que um profissional se deslocasse da cidade A para a cidade B. 

Foi nesse contexto que surgiu o BBS, ou Bulletin Board System, um sistema acessado por modem e linha telefônica que permitia baixar arquivos e trocar mensagens. Essa tecnologia reduziu de maneira significativa o tempo e os custos envolvidos na atualização de softwares. 

Havia, porém, uma particularidade: a navegação dependia da linha telefônica e era tarifada por pulso. Por isso, era comum que os usuários esperassem a madrugada ou os finais de semana para se conectar, quando o acesso era mais barato. 

1994: o telefone celular 

Até 1994, quando estávamos em deslocamento para um cliente, toda a nossa comunicação com o mundo exterior ficava praticamente interrompida. Muitas vezes, o cliente estava a 350 quilômetros da nossa base e levávamos de três a quatro horas para chegar. No retorno, acontecia a mesma coisa. Poderíamos ficar até oito horas totalmente desligados do mundo. 

Foi então que o telefone celular começou a se popularizar. Um dos primeiros aparelhos a desembarcar no Brasil foi o Motorola PT-550, conhecido como “tijolão”. O modelo tinha uma antena externa no topo e um formato que, na época, era considerado estiloso. 

Durante as viagens, passamos a poder falar com inúmeros contatos, impulsionar vendas, resolver problemas e até marcar um jantar para mais tarde. A comunicação deixou de depender de estarmos fisicamente em um determinado lugar. 

1996: a World Wide Web 

Em 1996, fui convidado por um grande amigo para visitar um departamento da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Queríamos conhecer uma nova tecnologia que permitia acessar informações armazenadas em servidores de dados localizados em qualquer parte do mundo. 

Fomos atendidos por um professor que pesquisou determinado assunto em um software especialista. O sistema consultou uma biblioteca na Austrália e devolveu, em poucos segundos, uma quantidade enorme de dados. 

Ficamos deslumbrados. Estávamos vendo pela primeira vez a World Wide Web. 

Depois vieram o Netscape, o Internet Explorer, o Google e diversas outras tecnologias que ajudaram a popularizar a internet. A transição para o ambiente digital também reduziu a dependência de materiais impressos. A consulta a livros e apostilas físicas começou a ser substituída por plataformas digitais e arquivos que podiam ser acessados remotamente. 

1998: as câmeras digitais 

Desde a invenção da fotografia, o processo para conseguir ver o que havia sido fotografado exigia a revelação de um filme. Era um processo químico, com etapas de revelação, interrupção e fixação, realizado para gerar um negativo que, depois de seco, era utilizado para imprimir a fotografia em papel. 

Entre 1996 e 2000, surgiram as câmeras digitais, que não utilizavam mais filmes e armazenavam as imagens digitalmente. Houve, então, uma grande mudança de paradigma: tornou-se possível ver a fotografia praticamente no mesmo instante em que o clique era feito. 

Aquilo que antes dependia de um processo posterior passou a estar disponível imediatamente. 

2000: os pendrives 

Até o início deste século, os dados que precisavam ser transportados de um local para outro eram armazenados em dispositivos que hoje parecem enormes, mas que tinham uma capacidade muito pequena. 

Inicialmente, os disquetes de 5 1/4 polegadas tinham capacidade de 160 KB a 360 KB. Em 1984, apareceram os modelos de alta densidade, com 1,2 MB, ou 1.200 KB. 

Foi somente nos anos 2000 que surgiram os pendrives. Eles substituíram os antigos disquetes e ofereceram praticidade e uma capacidade de armazenamento muito maior. 

Hoje, utilizo um pendrive de 250 GB, o equivalente a 250 milhões de KB. A diferença de capacidade em relação aos antigos disquetes mostra o quanto a tecnologia de armazenamento avançou em poucas décadas. 

2007: o iPhone 

Os telefones celulares da década de 1990 continuaram evoluindo, mas mantinham como principal função a conexão entre as pessoas por meio da voz. Ainda eram, essencialmente, telefones. 

Em 2007, a Apple lançou o iPhone, que trouxe uma nova experiência de uso, com navegação por gestos na tela e acesso amplo à internet. O dispositivo reuniu telefone, internet, câmera, reprodutor de música e aplicativos em um único equipamento. 

A partir daí, o celular passou a ocupar um espaço cada vez maior na vida digital das pessoas, tornando-se uma ferramenta para comunicação, acesso à informação, entretenimento e diversas outras atividades. 

2026: a Inteligência Artificial 

É nesse contexto que chegamos a 2026. O que estamos testemunhando hoje é muito importante do ponto de vista do avanço tecnológico. A Inteligência Artificial continua nos surpreendendo com sua velocidade de evolução e com as novas possibilidades que surgem praticamente todos os dias. 

Mas, quando olhamos para trás, percebemos que ela é parte de uma sequência de transformações que já aconteceram diversas vezes. 

O fax, o BBS, o telefone celular, a World Wide Web, as câmeras digitais, os pendrives e o smartphone também provocaram mudanças importantes na maneira como trabalhávamos e nos relacionávamos com a tecnologia. Cada um deles, em seu tempo, trouxe novas possibilidades e alterou aquilo que parecia fazer parte da rotina. 

A Inteligência Artificial é o capítulo que estamos vivendo agora. E, olhando para tudo o que já aconteceu, fica uma constatação: já mudamos o mundo muitas vezes antes. 

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Jeferson Viviani

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