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Simples Nacional híbrido: como saber se vale a pena pagar IBS e CBS por fora do DAS?

Marco Polo Viana
11 de ago. de 2026
T|Fonte:18px
4 min de leitura
Simples Nacional híbrido: como saber se vale a pena pagar IBS e CBS por fora do DAS?

A Reforma Tributária trouxe uma decisão importante para as empresas do Simples Nacional. 

A partir de 2027, o optante poderá permanecer no Simples e, conforme as regras aplicáveis, escolher entre manter IBS e CBS dentro do DAS ou recolher esses tributos por fora, seguindo a sistemática regular. É o chamado Simples Nacional híbrido. Mas qual opção será melhor? 

Na minha visão, a resposta não está apenas na alíquota e muito menos em regras prontas como “quem compra muito deve ir por fora” ou “quem está no Simples deve deixar tudo dentro do DAS”

Para uma boa análise, precisamos responder a três perguntas: 

  • Quanto a empresa paga de impostos em cada opção? 

  • Quanto ela compra e pode aproveitar de créditos? 

  • Para quem ela vende e quanto desses clientes aproveita créditos? 

O que muda no Simples Nacional? 

Com a Reforma Tributária, a empresa poderá continuar no Simples Nacional, mas terá a possibilidade de retirar IBS e CBS dessa sistemática. Teremos, portanto, dois caminhos: 

IBS e CBS dentro do Simples: a empresa continua recolhendo esses tributos dentro do DAS. 

IBS e CBS fora do Simples: a empresa permanece no Simples para os demais tributos, mas passa a apurar IBS e CBS separadamente, pela sistemática regular. 

É justamente essa comparação que precisa ser feita. 

Não basta perguntar: “Em qual opção eu pago menos imposto?” 

Essa provavelmente será a primeira pergunta do empresário. Mas ela é incompleta. Imagine uma empresa que paga R$ 5.000 de impostos e praticamente não gera créditos para seus clientes. Outra paga R$ 5.500, mas gera R$ 3.000 de créditos de IBS e CBS que seus clientes podem aproveitar. Qual é melhor? 

Se vende principalmente para consumidor final, talvez a primeira. Se vende para outras empresas que aproveitam créditos, a segunda pode ter uma vantagem comercial. Por isso, a análise precisa considerar: 

carga tributária + créditos + perfil dos clientes. 

Compras, créditos e perfil dos clientes 

Uma forma simples de visualizar a importância das compras é calcular: 

Compras ÷ Faturamento 

Uma empresa que fatura R$ 100 mil e compra R$ 20 mil possui uma relação de 20%. Outra, com o mesmo faturamento e R$ 70 mil em compras, chega a 70%. 

A segunda possui potencialmente mais créditos sobre suas entradas. Porém, nem toda compra necessariamente produzirá o mesmo crédito. O regime do fornecedor, o tipo de aquisição e outras regras podem interferir. Também precisamos olhar para quem a empresa vende. 

No B2C, quando o cliente é o consumidor final, gerar mais crédito pode ter pouco valor comercial. Nesse cenário, a carga tributária própria tende a ter maior peso. No B2B, quando o comprador consegue aproveitar IBS e CBS, o crédito recebido passa a possuir valor econômico. Por isso, empresas B2B precisam perguntar: 

Quanto de crédito meu cliente poderá aproveitar comprando de mim? 

Um exemplo prático: 

Consideremos uma empresa com faturamento mensal de R$ 100 mil, compras de R$ 40 mil e 90% das vendas destinadas a clientes que aproveitam créditos. 

No exemplo analisado pelo nosso simulador: 

Dentro do DAS: carga própria de R$ 7.190 e crédito aos clientes de R$ 1.102. 

No regime híbrido: carga própria de R$ 7.157,13 e crédito aos clientes de R$ 2.828. 

Ou seja, a empresa paga R$ 32,87 a menos e entrega R$ 1.726 a mais em créditos

Considerando que 90% das vendas são para empresas que aproveitam esses créditos, temos aproximadamente R$ 1.553,40 de crédito adicional potencialmente aproveitável pela carteira

Para uma empresa predominantemente B2B, isso pode representar uma vantagem importante. Mas existe outro cenário. 

Uma empresa pode ter 70% do faturamento em compras e, ainda assim, vender principalmente para consumidores finais. Nesse caso, o regime híbrido pode elevar a carga própria sem que o crédito adicional tenha o mesmo valor comercial. 

É por isso que a frase “quem compra muito deve optar pelo híbrido” não funciona como regra geral. 

Como analisar na prática? 

Na minha avaliação, a decisão deve passar por quatro etapas: 

1. Compare a carga tributária: quanto a empresa paga dentro do DAS e quanto pagaria no regime híbrido. 

2. Analise as compras: descubra quanto das aquisições efetivamente poderá gerar créditos. 

3. Analise os clientes: identifique quanto do faturamento vem de clientes que realmente aproveitam créditos. 

4. Encontre o ponto de equilíbrio: qual relação compras/faturamento iguala os dois regimes? E qual percentual das vendas precisa ir para clientes que aproveitam créditos para justificar eventual aumento da carga? 

Conclusão 

“O Simples híbrido vale a pena?” Não existe uma resposta universal. A pergunta correta é: “Considerando quanto minha empresa fatura, quanto compra, quanto consegue aproveitar de créditos e para quem vende, qual alternativa produz o melhor resultado?” 

Esse é o tipo de análise que empresário e contador precisarão realizar juntos. O objetivo não deve ser apenas encontrar a menor guia de imposto, mas compreender o resultado econômico da escolha, considerando a própria empresa e sua posição na cadeia. 

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Marco Polo Viana

Diretor · SACFiscal & Automação

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