O Governo português apresentou o AMALIA (Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial), o primeiro modelo de linguagem de grande dimensão (LLM) de código aberto desenvolvido em português europeu. O projeto pretende reforçar a soberania digital do país e posicionar Portugal entre o grupo de nações com capacidade para desenvolver e supervisionar tecnologia própria de inteligência artificial.
Desenvolvido por um consórcio de universidades e centros de investigação portugueses, o AMALIA é apresentado como um projeto estratégico para apoiar a transformação digital da Administração Pública, fortalecer o ecossistema científico e tecnológico nacional e contribuir para a competitividade da economia.
Durante a apresentação do projeto, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, afirmou que o AMALIA demonstra a capacidade do país para desenvolver tecnologia de dimensão global e contribuir para a autonomia estratégica da Europa. O chefe do Governo defendeu que Portugal deve ser "promotor e farol do avanço para os desafios do futuro", considerando igualmente que "um país como o nosso tem imenso potencial" para desenvolver tecnologia de referência internacional e assumir uma posição de liderança em projetos globais. No encerramento da sessão, reiterou o compromisso do Executivo com a inovação, afirmando: "Prometo que vamos continuar a investir".
O modelo é disponibilizado em código aberto, permitindo que organismos públicos, empresas, universidades, centros de investigação e cidadãos possam desenvolver aplicações de inteligência artificial adaptadas à língua portuguesa europeia, ao enquadramento jurídico nacional e à realidade do país.
O desenvolvimento inicial do projeto representou um investimento de 5,5 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Está ainda prevista uma segunda fase até 2027, que contará com um investimento adicional de 1,5 milhões de euros para a evolução do modelo e da infraestrutura soberana que o suporta.
O AMALIA resulta do trabalho conjunto de mais de 60 investigadores portugueses, numa iniciativa que procura transformar conhecimento científico em inovação com impacto na sociedade. A colaboração entre universidades e centros de investigação pretende criar uma base tecnológica nacional que possa servir de suporte ao desenvolvimento de novas soluções de inteligência artificial.
Segundo a informação divulgada, a disponibilização do modelo em código aberto permitirá que diferentes entidades desenvolvam aplicações adaptadas às suas necessidades, promovendo simultaneamente o acesso à tecnologia e a criação de novas soluções baseadas em inteligência artificial desenvolvidas em português europeu.
Para o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, "Este projeto representa uma escolha estratégica: investir na soberania digital, fortalecer a nossa capacidade científica e criar as condições para que o Estado, as empresas e a academia desenvolvam inteligência artificial em português, ao serviço das pessoas e da economia." O governante acrescenta que "É um investimento na autonomia tecnológica do país e na competitividade das próximas décadas."
O Governo considera que o AMALIA constitui um novo ativo estratégico para acelerar a transformação digital do Estado e reforçar as capacidades científicas e tecnológicas nacionais. Ao mesmo tempo, o modelo pretende disponibilizar uma plataforma aberta para que empresas, instituições académicas e centros de investigação possam desenvolver soluções de inteligência artificial ajustadas ao contexto português.
Com esta iniciativa, Portugal passa a dispor de um modelo de linguagem desenvolvido especificamente para o português europeu, disponibilizado em código aberto e concebido para apoiar projetos de inteligência artificial em diferentes áreas de atividade. A evolução do projeto continuará até 2027, período durante o qual está prevista a expansão das capacidades do modelo e o reforço da infraestrutura tecnológica nacional que lhe dará suporte.




